Modo Moto: a aposta do Waze para antecipar perigos no trânsito e estimular a direção defensiva

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O trânsito brasileiro é um dos mais violentos do mundo, mas é um território especialmente hostil para quem anda sobre duas rodas. Agora, a tecnologia de navegação tenta se adaptar a essa vulnerabilidade. O Waze acaba de colocar no ar o “Modo Moto“.

A ferramenta foi projetada para traçar rotas dedicadas a motocicletas e, principalmente, emitir avisos sonoros sobre perigos físicos da pista, como buracos, lombadas e fins de acostamento.

A novidade chega aos celulares com a promessa de atuar diretamente no reflexo e na tomada de decisão de uma categoria que hoje protagoniza a maior parte dos acidentes de trânsito no país.

CONTINUA DEPOIS DO CONTEÚDO PAN

Violência sobre rodas no Brasil

Dados do Atlas da Violência mostram o tamanho dessa exposição. A taxa de óbitos em acidentes com motos no Brasil chegou a 6,3 para cada 100 mil habitantes, fazendo com que as duas rodas representem 38,6% de todas as mortes no trânsito do país.

O crescimento também é nítido nas rodovias federais, onde a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou uma alta de 13,7% nos acidentes envolvendo motocicletas.

O problema central está na combinação entre a pressa dos serviços de entrega, a velocidade nas vias e a conservação precária das pistas.

Um buraco ou uma lombada não sinalizada que causariam apenas danos mecânicos em um automóvel são suficientes para provocar a queda de um motociclista.

É nessa fração de segundo que o Waze se propõe a interferir com o Modo Moto.

O Modo Moto do Waze

Uma das apostas do Modo Moto do Waze para evitar a distração é a integração com dispositivos de áudio e fones de ouvido via bluetooth instalados no capacete.

Com esse recurso, o motociclista recebe todas as instruções de navegação e os avisos de perigos da pista por comando de voz diretamente no ouvido, sem a necessidade de desviar a atenção do trânsito para olhar a tela do aparelho.

Sem dados históricos sobre o impacto do novo recurso do Waze, a eficácia de alertas integrados ao guidão precisa ser medida por outras iniciativas de mobilidade urbana.

A plataforma 99, por exemplo, mapeou o comportamento de seus motociclistas parceiros por meio de avisos sonoros e visuais em tempo real sobre frenagens bruscas e excesso de velocidade.

O monitoramento preventivo mostrou que 82% dos condutores corrigem a pilotagem imediatamente após receberem os alertas, gerando uma queda de 35% nos acidentes da plataforma, no Rio de Janeiro, cidade piloto da iniciativa .

A engenharia por trás do recurso do Waze segue linha parecida, focando na antecipação do ambiente. Ao avisar com antecedência sobre uma faixa elevada ou uma ponte estreita, o sistema induz o motociclista a diminuir a aceleração antes de avistar o obstáculo.

Os limites da proteção por aplicativo

Apesar do potencial preventivo do Modo Moto do Waze, o funcionamento do sistema depende de conexões estáveis de internet móvel e, acima de tudo, da disciplina de quem pilota para não desviar a atenção do tráfego em direção à tela do celular.

Além disso, a tecnologia precisa competir com a pressão por entregas rápidas e com a falta de pavimentação adequada.

* Sob supervisão de Ricardo Gozzi .