Fed enfrenta dilema: vai aumentar juros agora ou esperar sinais mais claros?

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A barra para um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve nesta semana provavelmente é mais alta do que o refletido nos mercados futuros, não apenas devido aos dados de inflação mais baixos do que o esperado e a mais uma trégua nas hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã, mas também porque os mercados interpretarão um único aumento como um sinal de que mais movimentos estão por vir.

O banco central dos EUA vem mantendo sua taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% desde dezembro. A probabilidade de um aumento na reunião de 28 e 29 de julho conforme refletido nos juros futuros vinha crescendo devido à nova alta nos preços da energia e às declarações mais hawkish de vários colegas do chair Kevin Warsh.

Se a história servir de guia, porém, quando o Fed aumenta ou reduz os juros após um longo período de manutenção, ele mantém a mesma direção por pelo menos algumas reuniões, e as autoridades podem não estar totalmente prontas para enviar esse sinal.

“Eles geralmente não fazem uma ação isolada, então isso realmente significa… que o comitê (de política monetária) precisa decidir se vai se comprometer com uma sequência de aumentos nos juros”, disse James Bullard, que liderou o Fed de St. Louis de 2008 a 2023 antes de se tornar reitor da Mitch Daniels School of Business na Universidade de Purdue. “Não acho que estejam prontos para fazer isso nesta reunião.”

Hawks X doves

Na reunião do Fed de 16 e 17 de junho, a primeira de Warsh como chair do banco central, todos os seus 18 colegas apoiaram a decisão de manter a meta para os custos dos empréstimos de curto prazo, apesar de alguns, mesmo naquela época, já enxergarem argumentos a favor de um aumento dos juros.

Nas semanas seguintes, as justificativas “hawkish” perderam um pouco de força. Os preços ao consumidor subiram 3,5% em junho na base anual, informou o Bureau de Estatísticas do Trabalho neste mês, um nível ainda alto mas abaixo dos 4,2% registrados em maio, à medida que o cessar-fogo entre os EUA e o Irã reduziu os preços dos combustíveis.

A tendência inflacionária, estimada excluindo os preços voláteis da energia e dos alimentos, também diminuiu, com o núcleo do índice de preços ao consumidor caindo de 2,9% para 2,6%. O influente presidente do Fed de Nova York expressou, neste mês, certa convicção de que a tendência continuaria.

O mercado de trabalho, por sua vez, permanece em terreno sólido. O crescimento do emprego desacelerou acentuadamente em junho, mas a criação de 57.000 vagas fora do setor agrícola ficou acima do que os economistas estimam ser a chamada “taxa de equilíbrio”, na qual são gerados empregos suficientes para acompanhar o crescimento da força de trabalho.

A taxa de desemprego recuou ligeiramente para 4,2%. O crescimento do salário por hora foi de 3,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, sugerindo que o mercado de trabalho não estava contribuindo para a inflação.

Warsh, embora discreto quanto às suas próprias opiniões sobre a trajetória dos juros, afirmou acreditar que o crescimento da produtividade pode permitir uma expansão econômica mais rápida sem pressões mais fortes sobre os preços.

Ainda assim, as razões subjacentes que levaram metade das autoridades do Fed a prever na reunião de junho uma taxa de juros mais alta até o final deste ano permanecem intactas. A inflação vem se mantendo acima da meta de 2% do Fed há mais de cinco anos e voltou a acelerar no primeiro semestre deste ano.

Os preços do petróleo dispararam novamente este mês com o colapso do cessar-fogo na guerra no Oriente Médio, reacendendo preocupações com a inflação que, segundo alguns economistas e membros do Fed, já estão se ampliando além dos preços dos combustíveis e dos alimentos, especialmente conforme os investimentos em inteligência artificial impulsionam fortemente a demanda em alguns setores da economia.

O Fed anunciará sua decisão de política monetária às 15h (horário de Brasília) de quarta-feira. A maioria dos economistas afirma esperar pelo menos um e até três votos dissidentes de membros do comitê a favor de um aumento dos juros, preparando o terreno para o início de uma sequência de aumentos nos custos dos empréstimos em setembro, a menos que a inflação dê uma guinada decisiva para melhor antes disso.