Traders mantêm apostas em alta de juros pelo BCE conforme petróleo volta a atingir US$100

MoneyTimes
Abrir en MoneyTimes

Os traders mantinham suas apostas nesta quinta-feira de que o Banco Central Europeu retomará os aumentos das taxas de juros a partir de setembro, à medida que os preços do petróleo atingiam US$100, reforçando a ideia de que a política monetária provavelmente precisará de um aperto adicional para combater os riscos inflacionários.

O BCE manteve as taxas de juros inalteradas, como esperado, nesta quinta-feira, mas deixou em aberto a possibilidade de um novo aumento em setembro, conforme um novo salto nos preços da energia ameaça manter a inflação bem acima da meta de 2%.

No momento em que a presidente Christine Lagarde falava com jornalistas após a decisão do banco, os preços do petróleo atingiram US$100 pela primeira vez em quase dois meses.

As cotações subiram pelo quinto dia consecutivo depois que os houthis do Iêmen afirmaram ter atacado dois petroleiros sauditas, ampliando as interrupções no transporte global de petróleo tanto pelo Mar Vermelho quanto pelo Estreito de Ormuz.

“Como o ‘choque energético ainda não se esgotou’, acreditamos que isso mantém a reunião de setembro em aberto e continuamos a esperar um aumento nas taxas de juros nessa ocasião”, disse Rufaro Chiriseri, chefe de renda fixa da RBC Wealth Management, citando o comunicado da decisão do BCE.

Os mercados de títulos estavam prestando mais atenção ao aumento dos preços do petróleo do que ao BCE, acrescentou ele.

Os mercados continuaram a precificar uma probabilidade de cerca de 95% de um aumento de 25 pontos-base na taxa de juros do BCE em setembro e uma probabilidade semelhante de um novo aumento até dezembro, em linha com as expectativas anteriores à decisão do BCE.

O rendimento dos títulos alemães de 2 anos, que é sensível às expectativas de taxas de juros, registrava alta de cerca de 2 pontos-base, para 2,86%, permanecendo próximo do maior patamar em dois anos atingido no início do dia.

O rendimento dos títulos de 10 anos, referência para a zona do euro, subia de forma semelhante, para 3,19%, ficando um pouco abaixo da máxima de 15 anos atingida no início do dia.

O euro caía 0,3%, para US$1,1373, seu menor valor desde 1º de julho, mesmo com os operadores mantendo suas apostas em um aumento das taxas, o que destacou a dependência energética do bloco.

O índice de ações europeu STOXX 600 tinha queda de 1,4%.