O preço do Bitcoin (BTC) subiu 22% em uma semana e se aproxima de um novo rompimento, que parece mais arriscado que o anterior.
O último rompimento ocorreu em 19 de agosto e foi impulsionado por investidores vendidos encurralados. Agora, o cenário é oposto, com predominância de posições compradas e oferta acumulada acima do preço atual.
O momentum ultrapassa o preço enquanto o Bitcoin segue acumulando queda em 2026
Entre 14 de maio e 25 de agosto, o preço do Bitcoin formou um topo mais baixo no gráfico de 12 horas. O Índice de Força Relativa (RSI), indicador que mede a velocidade do movimento dos preços, atingiu um topo mais alto.
Essa discrepância representa uma divergência oculta de baixa. Isso não indica formação de topo, mas sinaliza a possibilidade de retomada da tendência de queda anterior.
O volume confirma esse cenário. As compras diminuíram desde que o Bitcoin superou US$ 70 mil em 19 de agosto, e o RSI em 81,70 caiu abaixo de sua linha de sinal em 83,83, permanecendo em zona de sobrecompra. Todos esses fatores apontam para uma possível correção e retomada da tendência de baixa.
A tendência de baixa mencionada é deste ano. O Bitcoin começou 2026 próximo de US$ 87.650 e hoje acumula desvalorização de 9,8%.
O momentum reflete a intensidade dos movimentos do mercado, mas não quem financia essas movimentações.
O capital por trás do último rompimento mudou de lado
O rompimento de 19 de agosto ocorreu devido à liquidação dos vendidos. As posições short perderam US$ 2,74 bilhões em apenas um dia, enquanto as long registraram perdas de US$ 256,66 milhões.
Esse movimento já se esgotou. Nas últimas 24 horas, as liquidações inverteram: as posições long amargaram prejuízo de US$ 310,03 milhões, ao passo que os shorts perderam US$ 60,77 milhões. Apenas o BTC representou perdas de US$ 133,73 milhões, mais de um terço do total do mercado.
Apesar do cenário recente, o interesse do mercado não diminuiu. O open interest do Bitcoin, que representa o valor total de apostas em futuros ativos, segue próximo de US$ 25,35 bilhões, enquanto o pico do mês foi de US$ 25,7 bilhões.
A taxa de financiamento do BTC, valor pago entre operadores em futuros perpétuos, está em 0,000091%. Taxas positivas indicam que investidores comprados ainda estão pagando para manter suas posições.
Uma alta sem posições short para serem liquidadas depende de compradores reais, e são as moedas que estão acima do preço que determinam se eles vão aparecer.
Uma parede de oferta pode barrar a continuidade da alta
O UTXO Realized Price Distribution (URPD) da Glassnode, indicador que mostra a cotação em que cada moeda circulante foi movimentada pela última vez, revela onde esses investidores compraram.
O início do caminho está relativamente livre. O intervalo de US$ 82.045 concentra 83.800 BTC, ou 0,42% do suprimento, sinalizando poucos vendedores nessa faixa.
Depois disso, surge a barreira. O bucket de US$ 84.569 reúne cerca de 549.200 BTC, com a faixa dos US$ 83.300 aparecendo em primeiro lugar. Juntos, esses patamares concentram quase 5% do suprimento total.
Esses investidores estão perto do ponto de equilíbrio, então muitos podem vender diante de valorização. Entretanto, sete dias de fluxos para ETFs de Bitcoin precisariam absorver esse movimento. Independentemente do volume comprador ou vendedor, o gráfico do BTC indica onde essa armadilha pode ser acionada.
Qual é o potencial de alta do preço do Bitcoin?
O preço do Bitcoin opera perto de US$ 79.054 após atingir US$ 81.343 em 25 de agosto. O recente movimento e a consolidação formam um padrão de bandeira de alta, estrutura gráfica em que uma valorização pausa antes de uma nova tentativa de avanço.
Um fechamento de 12 horas acima do nível Fibonacci 0,382, em US$ 80.070, rompe a bandeira. A superação de US$ 81.343 e do nível 0,618, em US$ 81.449, confirma uma máxima renovada.
Acima desse patamar, US$ 82.430 abre caminho para US$ 83.681 (zona dos US$ 83 mil), projeção que alcança a muralha de oferta de 5% destacada anteriormente. Compradores que buscam esse nível encontram vendedores sem posições vendidas abaixo deles.
Abaixo, a Média Móvel Exponencial (EMA) de 100 períodos, uma linha de tendência dada maior peso aos preços recentes, está em US$ 67.367 e se aproxima da EMA de 200 períodos, em US$ 67.666. Esse cruzamento favorece os compradores.
A bandeira ainda não foi rompida, então os suportes do BTC são relevantes enquanto essa dinâmica se mantém. Uma queda abaixo de US$ 77.837 enfraquece a estrutura, e US$ 75.545 compromete fortemente o cenário. Um fechamento de 12 horas acima de US$ 80.070 separa uma busca por US$ 83.681 de uma possível retração até US$ 75.545.
Visão do analista: O cenário de baixa tem prazo para expirar. Uma alta acima do topo de maio, próximo de US$ 82.041, elimina o topo descendente e leva a divergência junto. Isso deixa uma faixa estreita em que os vendedores já estão errados e os compradores ainda não enfrentaram resistência, possibilidade que pode encerrar de forma instável a atual valorização do Bitcoin.
Leia a história original O rompimento do Bitcoin pode alcançar US$ 83 mil após alta de 22%, mas 3 riscos persistem por Ananda Banerjee em br.beincrypto.com