O chefe de estratégia de mercado da Panmure Liberum, Joachim Klement, agora projeta que o S&P 500 encerrará 2027 em 5 mil pontos.
Ele alerta que o desmonte do movimento de Inteligência artificial (IA) pode desencadear a pior queda desde a crise financeira global.
Custos de empréstimos pressionam expansão da IA
A meta de Klement em 5 mil indica uma redução de cerca de 36% em relação ao fechamento do índice em 7.801,77 registrado em 7 de outubro. O S&P 500 acumula alta de 13,97% em 2026, porém a valorização foi puxada por empresas ligadas à IA.
Nos 6 meses até 6 de outubro, o índice de referência subiu 18,3%. Já o indicador do Goldman Sachs, que exclui as empresas de IA, registrou avanço de apenas 6,7% no mesmo período.
A projeção de Klement representa uma forte guinada em relação a poucas semanas atrás, quando ele esperava alta do índice para 8.300 ao final de 2027.
Essa mudança reflete a preocupação com a inflação persistente e custos de empréstimos mais elevados, fatores que podem comprometer a expansão da IA. Segundo ele, as hyperscalers já consumiram a maior parte do fluxo de caixa livre.
Ao mesmo tempo, o custo da dívida cresce rapidamente a ponto de se tornar proibitivo para essas empresas, acrescentou Klement. Ele projeta um prazo de dois anos para essa virada.
“… Minha convicção central é que a bolha da IA vai estourar em 2027 ou em 2028, então em algum momento nos próximos dois anos…”, afirmou.
A Bloomberg Intelligence estima que o investimento em data centers por hyperscalers pode mais que dobrar em 2026, atingindo US$ 713 bilhões. A tendência é de novo crescimento no ano seguinte, porém em ritmo menor.
A projeção mais pessimista do mercado
A visão de Klement é, de longe, a mais pessimista entre os estrategistas monitorados pela Bloomberg. Os outros 7 projetam um potencial médio de alta de 14%.
No entanto, o alerta sobre o movimento de IA é compartilhado por outros grandes investidores. O CIO da Temasek International considera a reversão dessa tendência um dos principais riscos globais. Ray Dalio também alertou que a onda da IA se assemelha a uma “bolha clássica” próxima do fim.
Em contrapartida, o Barclays manteve sua previsão do S&P 500 em 8.800 para 2027 ao elevar a estimativa para o fim do ano em setembro. Estrategistas do Citigroup afirmaram esta semana que lucros sólidos em 2027 podem sustentar as ações apesar dos juros mais altos.
Na Europa, Klement espera que o Stoxx 600 recue para 430 ao final de 2027, mais de 30% abaixo dos níveis atuais. Apesar disso, ele segue como o mais otimista sobre o índice até 2026, com expectativa de ganhos de cerca de 10%.
O próprio Klement reconheceu que sua previsão pessimista pode ser prematura.
“… Estou começando a alertar as pessoas sobre algo que acredito que possa acontecer em seis a nove meses…”, acrescentou.
O investidor Michael Burry também apontou para um intervalo de 6 a 9 meses esta semana. Segundo ele, as ações estão em negação, fase que também antecedeu as quedas de 2000 e 2008.
O principal sinal observado por Klement é o S&P 500 cair abaixo da média móvel de 200 dias, o que aconteceu pela última vez em março. Nesse cenário, ele adotaria postura totalmente defensiva, priorizando papéis dos setores alimentício, tabaco e farmacêutico.
Ele afirmou à Reuters que resultados fortes e dados econômicos robustos ainda dão sustentação às ações. Dados do terceiro trimestre e projeções para 2027, a serem divulgados no início do próximo ano, irão testar essa avaliação, afirmou.
https://youtu.be/IcgIaeIE7LILeia a história original Previsão mais pessimista de Wall Street para o S&P 500 depende de um único sinal gráfico por Kamina Bashir em br.beincrypto.com