Taxas de DIs fecham em alta após Copom deixar ‘porta aberta’ para novos cortes na Selic

A curva de juros futuros estendeu os ganhos da véspera e fechou em alta com a “rolagem” do horizonte relevante do Banco Central para a convergência à meta de inflação no comunicado da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, foi a exceção e fechou com recuo de 8 pontos, a 14,235% ante 14,320% do fechamento anterior.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 14,765% ante 14,685% do fechamento anterior, alta de 8 pontos-base.

A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subiu quase 12 pontos-base e terminou o dia a 14,465% ante 14,350% do fechamento da última quarta-feira (17).

O mercado de títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, fechou sem direção única, também reagindo à postura mais ‘hawkish’ do novo presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Kevin Warsh, e a expectativa de novas altas nos juros no segundo semestre deste ano.

O yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – terminou a 4,179%, mantendo-se no maior nível do ano, ante 4,163% do ajuste anterior.

Já o retorno do título de dez anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — caiu para 4,455%, de 4,463% de ontem.

O que mexeu com os DIs hoje?

A leitura de um Copom mais ‘dovish’ favorece o recuo das taxas de Depósito Interfinanceiros (DIs) de curto prazo.

Já os juros futuros intermediários e longos, que já estavam pressionados, avançaram até 30 pontos-base nas primeiras horas de negociações com a “rolagem” do horizonte relevante do BC para o primeiro trimestre de 2028 já na próxima decisão, em agosto.

Juros longos disparam até 30 pontos-base com comunicado ‘dovish’ do Copom

Ontem (17), o Comitê de Política Monetária (Copom ) cortou a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. Essa foi a terceira redução consecutiva do Banco Central, em linha com o esperado pelo mercado. A decisão do colegiado foi unânime.

O BC destacou piora marginal das projeções de inflação, aumento das incertezas no cenário externo – com atenção especial às tensões no Oriente Médio – e passou a enfatizar o “ajuste total” do ciclo de política monetária, em vez do ritmo de cortes.

Apesar disso, o comunicado manteve a “porta aberta” para novos cortes na Selic, na contramão do tom adotado pelos principais bancos centrais ao redor do mundo, na visão de economistas.

Para o Goldman Sachs, por exemplo, o documento revela um descompasso entre a flexibilização da política monetária e a piora das projeções de inflação no horizonte relevante.

O principal ponto de atenção do mercado, porém, foi a sinalização antecipada da chamada “rolagem” do horizonte relevante da política monetária na próxima decisão do Copom.

Na prática, o BC “adiou” o atingimento da meta de 3% do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, reforçando a percepção de que pode haver novo corte da Selic em agosto – o que foi lido, por parte do mercado, como leniência do BC com a inflação.

A curva a termo brasileita também refletiu a postura mais conservadora do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos).

Como o esperado, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano . Essa foi a quarta manutenção consecutiva, em uma decisão unânime.

O gráfico de pontos ( dot plot ), atualizado trimestralmente no Resumo de Projeções Econômicas (SEP, na sigla em inglês), também apontou para uma alta de 25 pontos-base dos juros até dezembro.

O destaque, porém, foi a coletiva de imprensa, a primeira de Kevin Warsh no comando do Fed. Durante o pronunciamento, o novo presidente indicou que o BC poderá promover mudanças em sua estratégia de comunicação com o mercado, incluindo a realização de coletivas de imprensa e outros instrumentos de orientação aos investidores.