Abaixo de US$ 60 mil: Até onde vai a queda do bitcoin (BTC)? Especialistas fazem suas apostas de suporte de preços

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O bitcoin (BTC) acelerou a queda dos últimos dias e passou a ser negociado abaixo dos US$ 60 mil, uma queda que não era vista desde o começo do mês.

As criptomoedas passaram a cair mais após a divulgação da inflação dos Estados Unidos na quinta-feira (25), um dos principais indicadores do dia (leia mais abaixo).

Além disso, de acordo com o portal SoSoValue, só na última quarta-feira (24), os investidores retiraram aproximadamente US$ 460 milhões de fundos de índice ( ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin, acumulando cinco dias seguidos de perdas e atingindo sete semanas consecutivas de saques de produtos do tipo.

As saídas líquidas somaram mais de US$ 4 bilhões ao longo do segundo trimestre de 2026 até o momento, segundo dados do agregador, o que também ajuda a explicar a queda recente dos preços.

Em comentário enviado ao Crypto Times, a equipe de digital assets do BTG Pactual e o grupo de analistas da Empiricus concordaram que “não seria improvável ver o bitcoin tocar a faixa de US$ 48 mil a US$ 49 mil”, dado o cenário atual.

“O movimento foi amplificado pelo vencimento de opções desta sexta-feira (26). Cerca de US$ 13 bilhões em contratos expiraram na Deribit, com as opções de venda superando as de compra em uma margem líquida de US$ 1 bilhão a US$ 3,4 bilhões, criando pressão adicional sobre o preço. Nas últimas 24 horas, mais de US$ 1,26 bilhão em posições alavancadas foram liquidadas, com US$ 450 milhões em posições compradas fechadas forçadamente em aproximadamente uma hora, o que acelerou a queda e empurrou o BTC para a mínima de US$ 58.189″, escreveu José Artur Ribeiro, CEO da Coinext.

Para ele, tecnicamente, a zona entre US$ 59 mil e US$ 62 mil, ancorada pela média móvel de 200 semanas, era o principal suporte do ciclo. “Com sua ruptura, a tendência imediata segue baixista: um fechamento decisivo abaixo dos US$ 58 mil abre caminho para a faixa entre US$ 54 mil e US$ 50 mil, onde o mercado deve encontrar o fundo desta correção”.

Entretanto, um repique é possível a partir dos níveis atuais de sobrevenda, mas o bitcoin precisaria reconquistar os US$61 mil de forma consistente para sinalizar uma reversão real, e isso depende do ambiente macro cooperar.

Indicadores que pressionam o bitcoin (BTC)

O Índice de Preços para Gastos com Consumo Pessoal (PCE, em inglês), o indicador preferido de inflação do Federal Reserve (Fed) para balizar a decisão de juros, avançou 0,4% em maio na comparação com abril, quando também registrou alta de 0,4%.

A estimativa era de 0,5%, segundo economistas consultados pela Dow Jones. Já no acumulado em 12 meses até maio, o PCE acelerou para alta de 4,1%, ante 3,8% em abril. O número veio em linha com o esperado pelo mercado.

Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no primeiro trimestre do ano, na terceira leitura, registrou alta de 2,1% na taxa anualizada, o que representa uma aceleração em relação à segunda leitura, de 1,6%, e também superou a estimativa preliminar, de 2,0%.

De acordo com o relatório do Bureau of Economic Analysis (BEA), o avanço do PIB no período veio em decorrência, principalmente, de uma redução na estimativa das importações, parcialmente compensada por uma revisão para baixo dos gastos dos consumidores.

Como isso afeta o bitcoin (BTC)

Esses fatores combinados — inflação em alta e PIB em ritmo de crescimento — dão espaço para que o Fed eleve os juros e os mantenha em um patamar alto por mais tempo do que os investidores gostariam.

O mercado ainda espera uma alta nos juros pelo Fed a partir de setembro de 2026, segundo a ferramenta Fed Watch, do CME Group.

Além disso, a piora do sentimento geral dos investidores com relação a teses mais arriscadas envolvendo inteligência artificial (IA) e a perspectiva de custos de capital mais elevados por um período maior têm pressionado os preços de ativos digitais, algo que deve permanecer por um período indeterminado.