EUA liberam futuros perpétuos de ações como Apple e Tesla

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EUA liberam futuros perpétuos de ações como Apple e Tesla

Os contratos futuros que acompanham ações individuais dos Estados Unidos e nunca expiram agora podem ser negociados em bolsas reguladas americanas. A Commodity Futures Trading Commission (CFTC), órgão que regula os derivativos nos EUA, autorizou na terça-feira (3) esses futuros perpétuos de ações. Até então, o produto obrigava os americanos a recorrer a plataformas no exterior.

O ponto de atenção é a alavancagem. A Kalshi, uma das bolsas que pediram para listar os contratos, deixa o operador manter uma posição em uma ação depositando 15,5% do valor dela. Um grupo de defesa de regras financeiras de Washington alerta que essas posições são encerradas automaticamente em quedas fortes.

Como funcionam os futuros perpétuos de ações

Os futuros tradicionais vencem em uma data fixa. Os perpétuos não: o investidor mantém a posição enquanto a margem aguentar.

Um pagamento recorrente de financiamento mantém o contrato perto do preço da ação. No modelo apresentado pela Coinbase Derivatives, quem compra paga a quem vende quando o contrato negocia acima do preço do papel, com cobrança de até 0,10% por hora.

O pedido da Kalshi, protocolado em 18 de setembro, lista 58 contratos. São 55 ações, entre elas Apple, Tesla, Nvidia e Microsoft, além da Alibaba negociada nos EUA e de dois fundos que seguem o S&P 500 e o Nasdaq-100.

As negociações vão do domingo à noite até a sexta à tarde, no horário da Costa Leste dos EUA. Segundo a Better Markets, quem tem esses contratos só tem exposição ao preço, sem direito a ações, dividendos ou voto.

Por que a CFTC liberou?

Os contratos foram “considerados aprovados” pelo Regulamento 40.3, regra que libera um novo produto depois de 45 dias de revisão da CFTC. No comunicado, o presidente Michael Selig classificou os contratos como security futures , e por isso a SEC também participa da supervisão.

Só podem listá-los as bolsas também registradas na SEC para negociar esses produtos. A decisão vem depois de a CFTC aprovar, em maio, um contrato perpétuo de Bitcoin na Kalshi.

“…em vez de serem obrigados a recorrer a plataformas estrangeiras, muitas vezes sem regulação”, disse a CFTC em comunicado.

Quanto o investidor pode perder?

Benjamin Schiffrin, diretor de política de valores mobiliários da Better Markets, escreveu em 2 de novembro que contratos perpétuos de ações individuais no exterior oferecem alavancagem de até 20 vezes. Os ETFs de ações individuais aprovados pela SEC costumam ter limite de 2 vezes.

Nos EUA, a expectativa é de permitir até 6 vezes. Segundo cálculos do grupo, uma queda de 20% elimina uma posição alavancada em 5 vezes.

“…uma ferramenta de apostas se passando por instrumento financeiro legítimo”

Quem se opõe e quem disputa o mercado?

As empresas tradicionais também são contra. O CME Group já processa a CFTC por causa da aprovação de contratos perpétuos de criptoativos.

A disputa por esse público cresce. A Intercontinental Exchange, dona da Bolsa de Nova York, quer oferecer futuros 24 horas, 7 dias por semana, nos EUA, na Hyperliquid. O desempenho dos novos contratos de ações vai mostrar se a demanda que hoje está no exterior será absorvida pelo mercado regulado do país.

Leia a história original EUA liberam futuros perpétuos de ações como Apple e Tesla por Lockridge Okoth em br.beincrypto.com