De volta ao jogo: Em dia de estreia em NY, CEO da Azul (AZUL3) revela que o lema da aérea é ‘earn the right to grow’

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A Azul (AZUL3) está de volta, muito mais forte e com fontes de receita muito mais diversificadas, afirmou o CEO da aérea, John Rodgerson, no Azul Day, que ocorre nesta quinta-feira (9) em Nova York, mesmo dia em que as ações da companhia estrearam na Nyse .

Após enfrentar um processo de recuperação judicial nos Estados Unidos ( Chapter 11 ), que durou menos de um ano, o executivo enfatiza o início de um novo momento, em que a companhia opera com um balanço patrimonial fortalecido.

“Saímos do processo com alavancagem de apenas 2,4 vezes, um excelente ponto de partida. Além disso, continuamos operando uma companhia aérea capaz de gerar muito Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), e forte fluxo de caixa operacional”, diz Rodgerson.

Tendo lidado com um combo de forte pressão financeira após a pandemia, com juros em alta e conflitos geopolíticos, agora a Azul deve focar em crescimento sustentável. De acordo com o CEO, no passado, a Azul crescia a taxas de dois dígitos ao ano, enquanto hoje o negócio está menos arriscado.

A empresa quer voltar a crescer, mas o executivo afirma que este não é um ano de expansão. “Na verdade, nossa capacidade está menor em relação ao ano passado, e acreditamos que este é o momento certo para isso”.

“Hoje temos um modelo de negócios muito mais sustentável. Existe um lema dentro da Azul: ‘earn the right to grow’ (conquistar o direito de crescer, em tradução livre). E esse direito é conquistado gerando caixa. À medida que geramos caixa, conquistamos o direito de voltar a crescer”, conta.

O executivo destaca ainda que, dez anos após o IPO, a Azul é uma empresa três vezes maior em receita, quase quatro vezes maior em Ebitda e, ainda assim, menos alavancada.

“Isso representa um excelente ponto de partida para novos investidores. Quando abrimos o capital, em 2016, a Azul valia aproximadamente US$ 2 bilhões em valor de mercado. Em menos de quatro anos, elevamos esse valor para cerca de US$ 5 bilhões, entregando aquilo que prometemos ao mercado”, pondera.

Segundo ele, a Azul está de volta a partir de um ponto semelhante, mas com uma companhia maior, mais geradora de caixa e significativamente menos alavancada.

Oportunidades no Brasil

Durante suas falas, Rodgerson chamou atenção para a proporção continental do Brasil, que abriga um potencial relevante de crescimento para o setor de aviação. No caso da Azul, ele defende como diferencial a operação de voos para além dos polos São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

“Esta é a nossa malha aérea: atendemos 137 cidades. Nosso concorrente mais próximo opera em cerca de 60 cidades. Ou seja, existem aproximadamente 80 cidades que hoje são atendidas exclusivamente pela Azul. Temos uma presença realmente abrangente em todo o território nacional”, diz.

Nas rotas internacionais, ele afirma que, em alguns casos, a Azul é a única companhia a operar voos internacionais a partir de determinados aeroportos. Enquanto diversas empresas voam para os aeroportos do Galeão ou de Guarulhos, a aérea é a única a oferecer voos internacionais a partir de Viracopos, Confins e Recife para os Estados Unidos.

“Para eles [concorrentes], o Brasil parece muito menor, pois praticamente todas as operações estão concentradas em trajetos de cerca de uma hora entre esses centros. Já para a Azul, o Brasil é um país de dimensões continentais, com enorme abrangência geográfica e muitas oportunidades ainda a serem exploradas”, diz Rodgerson, acrescentando que a estratégia é operar em mercados onde a companhia possa liderar e obter rentabilidade.

De acordo com ele, é isso que faz diferença em momentos de maior pressão, como durante uma alta expressiva do preço do combustível causada por conflitos internacionais. “Nesses cenários, nossa capacidade de repassar custos e operar em mercados menos concorridos fortalece nosso modelo de negócios”.

Chapter 11 da Azul

Em 20 de fevereiro, a Azul anunciou a conclusão de seu processo de reestruturação financeira nos Estados Unidos e saiu do Chapter 11 , após cumprir todas as condições previstas no plano de reorganização.

Com o encerramento do processo, a aérea reduziu sua dívida de empréstimos e financiamentos em cerca de US$ 1,1 bilhão, cortou em aproximadamente 40% o endividamento relacionado a arrendamentos de aeronaves e diminuiu em mais de 50% os pagamentos anuais de juros em comparação com o período anterior ao Chapter 11 .

No processo de recuperação judicial nos Estados Unidos ( Chapter 11) da Azul, a American e a United Airlines firmaram um aporte de U$ 100 milhões cada uma na aérea brasileira. A United já era acionista da Azul e já teve o aval do Cade para o aporte. No entanto, o caso da American ainda está sob avaliação da Superintendência do órgão antitruste.

As parcerias são constantemente destacadas pelo CEO como um importante diferencial competitivo e cujo investimento ajuda no fortalecimento do balanço patrimonial.

“A United é nossa parceira há mais de 12 anos e já faz parte do nosso conselho de administração. Em breve, esperamos receber também a American Airlines (cujo processo ainda tramita no Cade) para nos ajudar a construir uma companhia ainda mais forte”, diz o CEO.

Nesta quinta-feira (9), a companhia avançou mais uma etapa em sua trajetória. As American Depositary Shares (ADSs) da companhia passam a ser negociadas na New York Stock Exchange (Nyse), a principal bolsa de valores dos Estados Unidos, sob o ticker AZUL.