‘Netanyahu e Trump não parecem falar a mesma língua’, diz analista da GT Capital sobre tensão no Oriente Médio

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O Oriente Médio continua sob tensão, mesmo após o cessar-fogo entre Israel e Hezbollah no sul do Líbano. A situação ganhou novos contornos com o adiamento da reunião entre Estados Unidos (EUA) e Irã, prevista para esta sexta-feira (19), na Suíça, aumentando a cautela dos investidores em relação às negociações sobre o programa nuclear iraniano. Nesse ambiente incerto, o petróleo passou a oscilar.

Segundo Nicholas Gass, analista da GT Capital, no Giro do Mercado de hoje (assista na íntegra abaixo), a semana começou com um tom mais positivo, impulsionado pela expectativa de avanço no diálogo entre Washington e Teerã. No entanto, a continuidade dos confrontos entre Israel e Hezbollah esfriou o entusiasmo e conteve o apetite dos investidores.

Embora o cessar-fogo tenha aliviado uma das frentes do conflito no Oriente Médio, ainda há dúvidas sobre sua sustentação. Para Gass, o adiamento do encontro presencial entre EUA e Irã também enfraqueceu a confiança em um progresso diplomático mais consistente.

“Um acordo olho no olho traria mais estabilidade ao mercado e reforçaria a percepção de que esse cessar-fogo veio para ficar, diferente do que ocorreu antes, quando os ataques continuaram”, disse.

O analista também aponta divergências políticas como um dos principais riscos à trégua.

“A grande incógnita é quem pode romper esse cessar-fogo e levar tudo de volta ao início. Esse risco passa por Israel, porque [Benjamin] Netanyahu e [Donald] Trump não parecem estar falando a mesma língua”, afirmou.

As negociações entre EUA e Irã sobre o programa nuclear seguem no centro das atenções. A ausência de uma solução aumenta a pressão sobre o presidente norte-americano, que enfrenta cobranças para encerrar o conflito sem atingir plenamente os objetivos iniciais da operação.

No mercado, o petróleo continua sensível aos desdobramentos da região. O barril, que chegou a US$ 120 durante o pico das tensões, recuou para cerca de US$ 80, mas ainda apresenta forte volatilidade. Outro ponto crítico é o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do petróleo global, que pode ser usado pelo Irã como instrumento de pressão em momentos de crise.

“O cenário é misto. Há avanços, mas também muitas ressalvas sobre um acordo final. É preciso continuar monitorando porque ainda existem riscos”, destacou Gass.

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*Sob supervisão de Juliana Américo