Petróleo sobe 3% enquanto novos ataques militares ameaçam embarques pelo Estreito de Ormuz

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Os preços do petróleo avançam cerca de 3% nesta segunda-feira (13), após a retomada dos ataques militares entre os Estados Unidos e o Irã reacender as preocupações com os embarques de energia pelo Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do petróleo Brent subiam US$ 2,24, ou 2,95%, para US$ 78,25 às 5h51 (horário de Brasília), enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos avançava US$ 2,01, ou 2,81%, para US$ 73,42 por barril.

“As empresas de transporte marítimo estão adotando uma postura cautelosa, e os movimentos de entrada diminuíram diante do aumento das preocupações com a segurança”, disseram analistas do ANZ.



Novos ataques dos Estados Unidos e do Irã durante o fim de semana alimentaram temores de uma nova escalada do conflito. Teerã atacou instalações dos EUA em toda a região do Golfo neste domingo (12) e afirmou ter fechado novamente o Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã informou hoje que atacou bases militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein.

Antes do início do conflito, no fim de fevereiro, o Estreito de Ormuz era responsável pela passagem de cerca de um quinto do fornecimento diário mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

O tráfego de embarcações pelo estreito caiu para o menor nível em cinco semanas ontem, mostraram dados de rastreamento marítimo, com a passagem de apenas embarcações, segundo a Kpler.

A intensificação dos ataques lança dúvidas sobre o futuro de um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, assinado no mês passado, que tinha como objetivo reabrir o estreito e encerrar a guerra após mais 60 dias de negociações.

A oferta global de petróleo aumentou em 4,1 milhões de barris por dia em junho após o acordo, mas permaneceu 9,4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis anteriores à guerra, informou a Agência Internacional de Energia em seu relatório mensal divulgado na sexta-feira (10).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que o Estreito de Ormuz continuava aberto ao tráfego comercial, apesar da declaração anterior do Irã de que havia fechado a hidrovia depois que uma embarcação navegou por uma rota não autorizada e foi atingida.

O Goldman Sachs estimou que a ampliação da capacidade dos oleodutos no Oriente Médio poderá proteger mais de 60% das exportações de petróleo do Golfo em níveis anteriores à guerra contra futuras interrupções no Estreito de Ormuz até o fim de 2028.

O cenário-base do banco pressupõe que a capacidade dos oleodutos que contornam o Estreito de Ormuz aumentará em 3,8 milhões de barris por dia até o fim de 2027 e, de forma acumulada, em 7,3 milhões de barris por dia até o fim de 2028, elevando a capacidade efetiva total de desvio para mais de 14 milhões de barris por dia até o fim de 2028.

As reservas de petróleo iraniano armazenadas no mar estão aumentando depois que Teerã ampliou as exportações durante o acordo de paz provisório com os Estados Unidos. No entanto, as vendas têm sido lentas, já que as refinarias independentes da China passaram a optar por petróleo mais barato proveniente do Iraque, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar.

A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC) definiu o preço oficial de venda para agosto de seu petróleo de referência Murban em US$ 80,01 por barril, informou a empresa nesta segunda-feira, abaixo dos US$ 101,48 por barril registrados no mês anterior.